ESTATÍSTICA NA REUNIÃO MEDIÚNICA

ESTATÍSTICAAH! Isso mesmo. Assim estava escrito no quadro quando o velho professor retornou da sua visita apressada às dependências sanitárias. Ao dirigir-se ao quadro negro para continuar o texto que iniciara, encontrou o título da sua matéria — ESTATÍSTICA — acrescida da emenda AH, e ainda com acento de exclamação! Como se não bastasse, ao lado desenharam uma caricatura de um aluno vomitando. Isso era demais! Contudo, tal episódio denotava desinteresse dos educandos daquela faculdade pela matéria ministrada pelo mestre dedicado.

Estatística é o ramo da matemática que trata da coleta, da análise, da interpretação e da apresentação de massas de dados numéricos. Assim nos informam os dicionários, mas vulgarmente falam que estatística é uma ciência que nunca chega a um resultado definitivo — tudo é uma aproximação. Isso é fato. Realmente é uma aproximação de uma realidade, baseada em uma amostragem limitada de um universo de informações muito maior. Talvez por esta razão aqueles alunos tenham perdido o interesse pelo assunto… Afinal, qual o objetivo em estudar uma ciência que nunca chega a um resultado exato num curso de ciências exatas como aquele sobre Informática? A resposta é simples: a estatística é fundamental para o planejamento e tomada de decisão em quaisquer ramos da ciência.

Nas casas espíritas não é diferente. Muitos dirigentes de departamentos não despendem algumas das suas preciosas horas dedicadas ao trabalho na caridade em elaboração de relatórios baseados em dados estatísticos, achando que seria tempo jogado fora. Ledo engano. Não seria perda de tempo, pois planejamento é fundamental em qualquer atividade. Uma atividade bem planejada tem tudo para alcançar o sucesso, atingindo o objetivo com eficiência.

As reuniões mediúnicas são difíceis de planejar pelos coordenadores do plano terreno, pois como sabemos, a direção-geral parte do plano espiritual. Mas cabe aos encarnados o preparo das ferramentas utilizadas — os médiuns. Assim, a educação continuada é de extrema necessidade. Não obstante, há algumas questões a responder: quais cursos são necessários para tais médiuns? Quais balizadores utilizar para determinar as necessidades do grupo? A resposta também é simples: estatística.

Baseado nessas necessidades, o Departamento de Mediunidade do Centro Espírita Trabalhadores de Jesus — casa onde participo — solicitou que os dirigentes dos grupos mediúnicos elaborassem relatório estatístico anual. Baseado neste relatório seriam programados seminários, encontros e cursos visando a qualificação do corpo mediúnico.

A última etapa da reunião mediúnica é a AVALIAÇÃO. Esse processo consiste em relatos breves de cada comunicação realizada pelos médiuns, direcionada por apontamentos sumários dos dialogadores e dirigente da reunião. Como trabalho de casa, cabia ao dirigente classificar e tabular os dados, gerando um trabalho enfadonho e cansativo. Havia ainda um agravante: cada dirigente estabelecia seus próprios critérios e isso gerava uma imprecisão muito grande, ajudando pouco na tomada de decisão do dirigente do Departamento Mediúnico.

Vendo o grande trabalho da minha esposa (Rose Athayde), dirigente na nossa reunião, em manipular os dados obtidos sem o auxílio de uma ferramenta, planejamos uma planilha eletrônica que faria todo o trabalho estatístico, restando somente entrar com os dados colhidos em cada reunião. O trabalho foi facilitado, pois ela, acostumada a planejar em sua profissão, já tinha idealizado uma classificação simplificada dos tipos mais comuns de manifestações, baseada no livro “OBSESSÃO E DESOBSESSÃO” de Suely Caldas Schubert. A minha parte foi limitada a projetar e programar a planilha. Era a minha chance de colocar em prática parte do que aprendi naquele curso que citei no início. Depois de algum trabalho, nascia nosso produto com as características seguintes:

  • Relatório mensal gerado automaticamente com os totalizadores dos tipos de comunicação mediúnica, cuja entrada seria a cada reunião (semanal).
  • Relatório anual gerado automaticamente baseado nos totalizadores mensais.
  • Gráficos de barras (mensal) baseado nos totalizadores de cada tipo de comunicação.
  • Gráfico de Pizza (anual), baseado nos totalizadores mensais.
  • Totalizadores mensais e anual das psicografias produzidas nas reuniões.

Elaborei um seminário sobre MEDIUNIDADE e REUNIÃO MEDIÚNICA e apresento em algumas casas que me solicitam. Intitulado SER MÉDIUM NOS DIAS ATUAIS, sua programação pode ser consultada numa página a ele dedicada, onde também a planilha está disponível para ser baixada por qualquer trabalhador da seara espírita (navegue até o final da página e clique no botão laranja). A última parte deste seminário é dedicada a um tutorial sobre esta planilha.

“ESTATÍSTICA NA REUNIÃO MEDIÚNICA”

Paulo Jorge, 15-09-2017.

XI ENCONTRO DE DIVULGAÇÃO DO 34º CEU

XI ENCONTRO DE DIVULGAÇÃO ESPÍRITACabo Frio, 15/07/2017.

O 34º CEU/CEERJ, que é formado pelas casas espíritas de Armação dos Búzios, Arraial do Cabo e Cabo Frio, promoveu no sábado, 15 de julho de 2017, o XI ENCONTRO DE DIVULGAÇÃO ESPÍRITA. Esse evento é realizado anualmente e tem o objetivo de levar a cultura espírita ao público que não frequenta habitualmente as casas espíritas, além de expor e vender os produtos destas, pois as mesmas não se utilizam de nenhuma outra forma ostensiva de arrecadação de recursos. As Mocidades Espíritas se destacaram no evento com a apresentação de músicas, esquetes e coordenação de diversas áreas da exposição.
Fizeram parte da programação:

  • Palestras.
  • Poesia.
  • Literatura (livraria).
  • Música espírita.
  • Bazar (com a comercialização de produtos artesanais).
  • Esquetes.

A exposição contou com a visitação maciça de populares, já que foi montada em ponto estratégico da cidade, com acesso facilitado por estar próxima ao terminal rodoviário. Os organizadores e participantes concluíram as atividades com entusiasmo alegria e expectativa de novidades para a exposição do próximo ano.
https://www.facebook.com/centroespiritatrabalhadoresdejesus/posts/1022146647924958

XI Encontro de Divulgação Espírita

DEVEMOS COMER CARNE?

carneA carne tem aparecido muitas vezes nos noticiários. Nem sempre associada com fatos positivos que ressaltem suas  propriedades nutritivas. Em vez disso, tornou-se protagonista nos processos fraudulentos envolvendo sua procedência, beneficiamento e distribuição. Tais notícias deram uma forcinha àqueles confrades que já tinham o desejo dar uma trégua aos seus masseteres. Muitos movidos por indução de companheiros radicais que aboliram a carne a pretexto de pouparem a vida dos animais, por não se julgarem no direito de privilegiarem suas próprias existências em detrimento da vida alheia. Afinal, não se pode tirar um bife de uma vaca sem lhe tirar a vida. Sentimento nobre, contudo requer a substituição por produtos de origem vegetal, de forma balanceada, de modo que não pereçam também por falta de nutrientes.

Recebi recentemente uma mensagem citando os grandes gênios que se alimentavam, exclusivamente, de vegetais. Eu também dou preferência aos vegetais - embora não tenha nada de gênio. Outrossim, há dotados de genialidade que comem carne.

Em O LIVRO DOS ESPÍRITOS, questão 723, os espíritos nos esclarecem que dada a nossa constituição física, a alimentação baseada em proteína animal ainda é necessária, contudo, é muito louvável a iniciativa de alguns segmentos no sentido da alimentação baseada em vegetais.

Creio que Jesus não condenava a alimentação com carne. Caso contrário, por que motivo teria incentivado a pescaria após o seu primeiro encontro com Pedro? Quando ele come com os Fariseus  e é criticado porque seus discípulos não lavaram as mãos antes da refeição, provavelmente o cardápio incluía carne de cordeiro, muito apreciada por aquele povo.

Não poderia deixar de citar que Hitler, o ditador sanguinário, era vegetariano(*1), enquanto que Chico Xavier apreciava carne, segundo afirmou Richard Simonetti em um seminário que fez em Cabo Frio.

Certa vez decidi ser vegetariano(*2). Não consegui, pois a alimentação macrobiótica ficou impossível para o meu "magro" bolso. Até hoje não consigo entender como um arroz com casca e tudo pode custar mais caro do que o mesmo arroz beneficiado. Também a soja, que poderia substituir a proteína animal, é muito cara quando disfarçada de alimento gostoso. Não vou nem falar dos derivados do leite...

Acho que não devemos levar tudo a ferro e fogo, pois ainda há uma grande distância entre o ideal e o possível.

Paulo Jorge
Cabo Frio, 06/06/2017.

ANIVERSÁRIO DO CETJ: MUITO MAIS QUE UMA EFEMÉRIDE

          Analisar o passado é, sem sombra de dúvida, uma grande ferramenta que temos para computar os avanços que fizemos ao longo do tempo e avaliar as nossas possibilidades reais de progresso.

          1923 foi realmente um ano marcante para a história da humanidade. No cenário internacional nasciam grandes artistas como o espanhol Eusebio Sampere Juan - escultor e pintor - e o famoso desenhista português Vítor Péon, autor de verdadeiras obras primas. A América do Norte se deliciava com o recém-lançado Robin Wood, em preto e branco a ainda mudo, estrelado por Douglas Fairbanks (Robin Hood) e Billie Bennett (Lady Marian). Continue lendo "ANIVERSÁRIO DO CETJ: MUITO MAIS QUE UMA EFEMÉRIDE"

Os espíritos necessitam de endereço para localizar pessoas?

visita_de_espíritos          Costumamos observar que na maioria das casas espíritas há uma cestinha, ou algo similar, para que coloquemos os nomes e endereços daquelas pessoas que estão passando por problemas graves, portanto, necessitando de orações. Esses dados, via de regra, são encaminhados às reuniões mediúnicas, onde a equipe de espíritos benfeitores e médiuns unem forças com o objetivo de ajudar o destinatário do pedido. Mas surge uma questão: os espíritos necessitam de endereço para localizar pessoas?  Continue lendo "Os espíritos necessitam de endereço para localizar pessoas?"

Negozinho, o fabricante de sonhos

       

Caía a noite e os vagalumes enfeitavam a negritude da paisagem de Pau Rachado com suas piscadelas esverdeadas, como a espelhar as estrelas cintilantes do céu primaveril.

O grande galpão do velho engenho de farinha achava-se iluminado por lamparinas e candeeiros pendurados nas toscas paredes de pau-a-pique. Grossos rolos de fumaça escura brotavam das trêmulas chamas avermelhadas. A fumaça do querosene queimado grudava no teto de telhas de barro e caibros de madeira bruta, engrossando os flocos negros de picumã. Um cheiro acre invadia o recinto, emanado da canaleta de escoamento da água de mandioca sevada. Duas grandes prensas emitiam gemidos a cada aperto que o prenseiro dava em seus grandes fusos de madeira sobre os tipitis - balaios feitos de palha. Depois de seca, a massa era ralada, peneirada e torrada, transformando-se em farinha. A água, após decantar em recipiente próprio para extrair a goma, era descartada numa vala aberta na lateral da construção, onde pululavam tapurus alimentados pelos resíduos, gerando forte odor azedo.

Um enorme monte de mandiocas, transportadas por carros de boi durante o dia, aguardava no centro do salão pelos trabalhadores encarregados da raspagem. Estes se acomodavam no entorno do monte, munidos de suas faquinhas e canivetes, uns agachados, outros sentados em cepos de madeira ou no chão de barro socado. A maioria dos raspadores era composta de senhoras, pois seus maridos descansavam durante a noite para o trabalho duro da colheita no dia seguinte. Velhos e crianças maiores também participavam da tarefa, já que não suportavam o trabalho mais pesado.

No grande terreiro ao lado do engenho, brincavam as crianças menores, iluminadas unicamente pela luz das estrelas e pela lua que começava a despontar no horizonte.

O trabalho já começara em meio aos burburinhos dos trabalhadores e da criançada, quando alguém indaga em tom mais alto:

Gente! Onde está Negozinho? Será que ele não vem hoje?

Não sei não! – fala a velha Filomena – Ele está atacado do reumatismo...

B'as noite! - Interrompeu-lhe a fala uma ecoante voz vinda do enorme vão sem porta que havia na parede frontal do galpão. Era Negozinho, um velhinho franzino e já bem encurvado pelo peso da idade, exibindo sempre generoso sorriso que lhe expunha os poucos dentes teimosos  em permanecer na boca murcha e franzida pelo tempo. Como era de costume, contaminava o ambiente com o seu bom humor, apertando a mão de cada um e dando a bênção aos que lhe solicitavam – prática comum no interior. Tomou o seu lugar entre os trabalhadores, sacou sua faquinha gasta e iniciou sua tarefa em completo silêncio.

Tempos depois, dona Beata pergunta:

Como é Negozinho? Não vai contar uma história hoje?

Não, dona Beata, hoje não posso. Tenho que adiantar o trabalho. Alice, minha mulher, está precisando de um vestido novo para a Festa da Cruz. Preciso juntar dinheiro para comprar um corte de chita.

Conta, Negozinho! - Pedem todos, quase em uníssono.

O velho decide contar a história, após relutar um pouco. Precisava trabalhar e o serviço era remunerado pela quantidade de “jacás” - balaios feitos de cipós - cheios de mandiocas raspadas. As crianças, que brincavam no terreiro, já tinham como atração certa as histórias de Negozinho. Aproximaram-se em correria, ansiosos pelo divertimento. O ancião preparava-se, como se meditasse, para a narrativa infantil.

Era uma vez... - Assim começava sua história e a cada palavra que emitia podia-se observar os brilhantes olhos atentos da criançada. O tema era sempre variado – não repetia um conto mesmo que pedissem. Por sua boca desfilavam figuras conhecidas do folclore brasileiro e as clássicas fábulas infantis, como  “A Formiga e a Cigarra”, “A Lebre e a Tartaruga”, “João e Maria” e tantas outras. Todas com o seu colorido particular, repleto de interjeições e gesticulações próprias.

Terminada a seção infantil, os donos do engenho serviam um costumeiro lanche com café de caldo de cana, leite quente e batata doce cozida. Após comerem fartamente, as crianças menores punham-se a dormir em esteiras dispostas ao redor dos trabalhadores – critério necessário para que Negozinho contasse a história para os adultos. É bem verdade que alguns fingiam dormir - queriam ouvir também a narrativa seguinte, mas se descobertos...

Os temas eram diversos: mistério, suspense, terror e romances. Sempre uma história nova, mas todas interessantíssimas! Recriou dragões, construiu castelos, despertou princesas, narrou catástrofes, enfim, cada sonho que criava entretinha as pessoas e suavizava as duras horas do trabalho que tinham pela frente. Divertia-se por vezes estimulando o medo em alguns. Muitos não retornavam para suas casas antes de raiar o dia, temendo encontrar alguns dos fantasmas de Negozinho!

Antes mesmo de nascer o sol, o monte de mandiocas dava lugar a um amontoado de raspas e curuera que serviria posteriormente de comida para porcos e galinhas. Os trabalhadores retornavam às suas casas comentando as histórias que ouviram, com a certeza de que nas noites seguintes ouviriam outras. Sempre uma diferente a cada noite, enquanto durasse o preparo da farinha. Todos computavam felizes o total a receber no final da semana. Conseguiam produzir bastante ouvindo narrativas que faziam o tempo passar sem que percebessem. Somente Negozinho não atingia sua meta - produzia menos. Perdia muito tempo contando as histórias, além da lentidão natural que a velhice lhe imprimia.

Mais uma vez Alice teria que ir à Festa da Cruz com o seu vestido surrado. Mas não fazia mal. Ele também retornava feliz, sentindo-se útil para aquela comunidade. Seu dever estava cumprido!

O mais curioso disso tudo é que jamais ouvira falar de La Fontaine, Esopo, Malba Tahan ou qualquer outro autor literário. Era completamente analfabeto. Havia na região pouquíssimas pessoas que sabiam ler, e estes não tinham o hábito da leitura. Ninguém possuía sequer rádio! Questionado quanto a origem do seu repertório, dizia com risinho irônico:

Um anjo me contou.

Hoje a paisagem rural de São Pedro da Aldeia não abriga os engenhos de farinha, tão importantes outrora. Negozinho já não se encontra entre nós. Deixou saudade em todos que o conheceram, mas seu legado mais importante é a lição de compartilhar com o próximo as coisas que sabemos. Não tendo nada de material para distribuir, doava parte do seu tempo, na difícil tarefa de criar sonhos em corações enrijecidos pela vida dura do trabalho no campo. Mostrou que podemos ser úteis a cada instante – basta a vontade de ajudar sem pedir nada em troca. 

Numa outra instância da vida, onde haja uma roda de amigos atentos, lá estará o simpático velhinho, risonho e falante, a distribuir alegria. Que o bom Deus sempre o ampare, Negozinho, o fabricante de sonhos!

Paulo Jorge dos Santos
(São Pedro da Aldeia, 25 de novembro de 2005)

Revisado em 21 de abril de 2021.

Revisado em 21 de abril de 2021, 23:38 h.

Revisado em 22 de abril de 2021, 14:00 h.